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Eduardo Kaze
Começou nesta quarta-feira (25) a campanha da Associação Paulista de Supermercados (Apas), em parceria com o governo do Estado, que restringe o uso de sacolas plásticas nos comércios de São Paulo. Estima-se que, entre os supermercados, 80% parem de fornecer as chamadas “sacolinhas” aos clientes.
Caixas de papelão e sacolas retornáveis são as opções mais comuns oferecidas pelas redes. Quem quiser, também poderá adquirir sacolas biodegradáveis por cerca de R$ 0,20, que levam em torno de seis meses para se decompor.
A questão ainda é polêmica. De um lado estão os que defendem a proibição como a consolidação da consciência ambiental da população e, de outro, os que discordam da medida, como a indústria de materiais plásticos. Para ambientalistas e gestores públicos, a medida tem um importante valor simbólico. Apesar de as sacolas só representarem uma pequena parcela do volume total de lixo descartado, têm o mérito de trazer para o cotidiano das pessoas a preocupação com a sustentabilidade.
A reportagem do Ponto Final percorreu mercados da região do ABC para conferir como estão se comportando os estabelecimentos. Nos locais onde o veto às sacolinhas foi incorporado, o que se via eram consumidores desdobrando-se para dar conta das compras. Muitos utilizavam os plásticos de embalar frutas para o transporte. As caixas de papelão eram, na maioria, grandes demais para pequenas compras e incomodas demais para carregar grandes despesas. Aqueles que traziam as próprias sacolas, algumas retornáveis, outras do modelo antigo, se igualavam entre satisfeitos e incomodados.
Um dos mercados visitados pelo Ponto Final ainda não havia aderido à campanha. O gerente, Alexandre Veloso, explicou a razão: “Ainda tenho um lote desse material (sacolinhas), que já foi confeccionado, e não tenho o que fazer”, disse. Segundo Veloso, porém, cobrar pelas sacolinhas biodegradáveis não é uma saída adequada. “Não acho que cobrar seja uma boa. Os mercadistas sempre colocaram isso nos custos da loja”, avaliou. Questionado sobre um dos argumentos dos grandes mercados, que afirmam que a economia com as despesas relacionadas às sacolinhas será repassada aos produtos, Veloso é enfático: “Não acredito nessa possibilidade”.
Conversamos com consumidores e perguntamos: “O que você acha da restrição das sacolas plásticas”. As opiniões se dividem. Confira:
Acho um absurdo. Isso não está favorecendo o planeta, pois vão ser utilizados mais sacos de lixo. Quem se favorece são as redes de mercado. Se eu comprar produtos de limpeza vou colocar dentro da sacola retornável junto com meu alimento?
Karine dos Santos, 29, empresária
Acho que isso já deveria ter sido feito antes. Concordo e considero bom. Se as pessoas utilizassem as sacolinhas com consciência, tudo bem, mas vemos tudo pelos chãos, sendo levados por enxurradas.
Quioco Tajima Aparecida, 58, recepcionista
Acho isso muito errado. Quem lucra é o mercado, pois, antes, já estava embutido no valor das mercadorias o valor das sacolas. Eles não dão opções. Deveríamos fazer um abaixo-assinado contra essa medida.
Alexandre Silvério, 32, comissário de voo
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